A Galeria Millennium bcp, no MNAC, inaugura exposição “Dos Gestos e das Formas. Um diálogo entre coleções”.

A Galeria Millennium bcp, sediada no Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC) inaugurou no passado dia 18 junho, a exposição “Dos Gestos e das Formas. Um Diálogo entre Coleções”. Esta exposição reúne obras das coleções do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), do Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC) e da coleção Millennium bcp. O projeto constrói um espaço de diálogo entre tempos e linguagens, organizado em quatro núcleos temáticos: Carne, Tempo, Engenho e Material/Imaterial, propondo uma leitura não linear da história da arte, com origem partilhada no antigo Museu Nacional de Belas-Artes.

As coleções testes dois Museus Nacionais foram divididas em 1911, criando-se assim duas instituições dedicadas a tempos, linguagens e enquadramentos distintos da história da arte. Esta exposição visa celebrar essa história comum. Através de uma escolha realizada conjuntamente pelas equipas de ambos os museus, convoca-se um encontro transversal entre obras de diferentes séculos, onde se cruzam gestos, matérias e modos de pensar a criação ao longo do tempo.  O percurso expositivo é guiado por núcleos agregadores que propõem um confronto entre o modo como os artistas exploraram e transformaram suportes, pigmentos, tecidos, metais, madeira, pedra para dar corpo às suas ideias, responder a contextos históricos específicos e inscrever-se entre uma tradição e rutura.

Quatro poemas inéditos de Filipa Leal, criados para este contexto, integram e introduzem uma camada adicional de leitura a cada núcleo. Às suas palavras, junta‑se a música de Clotilde Rosa — a sua última composição — originalmente criada para um vídeo da dupla de artistas Musa paradisiaca. Uma criação do perfumista Lourenço Lucena abre a exposição a uma dimensão olfativa. Com estas contribuições descobrimos novas formas de ver, ler, sentir e interpretar as obras, expandindo a experiência da exposição.

Entre corpo e representação

A temática da carne atravessa séculos, do dramatismo religioso de Cristóvão de Figueiredo ou da escultura italiana do século XVII, à intensidade moderna de Cândido Portinari e à reinvenção contemporânea em Patrícia Garrido. Obras como a Danaide de Auguste Rodin ou Inês de Castro de Simões de Almeida Jr. evidenciam o corpo como território de desejo, dor e transformação.

O tempo como memória e construção

Do simbolismo da Vanitas anónima à pintura de Columbano Bordalo Pinheiro, o tempo é tratado como matéria instável, entre a memória e a finitude. A reflexão prolonga-se em artistas como Eduardo Viana, António CarneiroeJorge Pinheiro, onde o envelhecimento e a passagem do tempo se tornam visíveis e sensíveis.

A invenção e o gesto

No núcleo dedicado ao engenho, a criatividade humana manifesta-se através da máquina, do artifício e do jogo. De objetos históricos a obras de René Bértholo,Jorge VieiraouAlbuquerque Mendes, destaca-se a capacidade de transformar matéria e pensar o mundo através da ação artística.

Matéria, presença e desaparecimento

O último núcleo explora a tensão entre presença e ausência, através de artistas como Fernando Lemos, Noronha da Costa, Vieira da Silva, Júlio Pomar e António Dacosta. Aqui, a matéria dissolve-se e transforma-se em imagem, gesto ou memória, revelando a instabilidade do visível.

Dos Gestos e das Formas. Um Diálogo entre Coleções

Galeria Millennium bcp – Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado

18 de junho — 20 de setembro de 2026