A Fundação Millennium bcp apoio o Art Cut’26 – Exercícios em Empatia

Uma exposição, 104 artistas, 14 curadores, 8 cidades, 3 continentes, por onde circulam ideias de arte, de empatia, de educação, de conhecimento, de universidade e, claro, de futuro. Um projeto alimentado pela convicção de que as linguagens artísticas são um dispositivo privilegiado para estabelecer relações, diálogos e afinidades sem impedimentos culturais, linguísticos ou políticos. Espalhar-se pelo mundo e reunir artistas que falam diferentes línguas e desenvolvem diferentes poéticas e múltiplas práticas culturais é a tradução de uma conversa sonhada por sua Eminência o Cardeal Tolentino de Mendonça. Conversa que se materializa numa vasta exposição a que chama uma escola de empatia. Uma escola que convoca, segundo o Cardeal, “todos os saberes a uma conversa interdisciplinar, aproximando-nos uns dos outros para realizar juntos aquele exercício exigente, paciente, mas apaixonante, que é, no fundo, o reconhecimento recíproco.”

Em Lisboa, o ponto de partida e uma das mais antigas aspirações humanas: regressar a casa. Mas o que significa regressar quando a casa já não existe, quando foi abandonada, transformada ou esquecida? E o que significa regressar quando somos nos próprios que já anão somos os mesmos? Antes de ser uma construção, a casa é uma forma de habitar o mundo. É um espaço físico, mas também uma geografia interior. Habita-nos tanto quanto a habitamos.

Desenvolvida em parceria entre a Universidade Católica Portuguesa, o Museu Nacional de Arte Contemporânea e a Brotéria, a exposição distribui-se por três espaços da cidade, propondo perspetivas complementares sobre a ideia de casa.

Na Católica, as obras refletem sobre a materialidade da casa e os espaços que tornam possível o habitar.

No MNAC [Galeria Millennium bcp], a casa surge como território psicossomático, onde corpo, memória e imaginação se entrelaçam.

Na Brotéria, a reflexão desloca-se para a natureza e para a comunidade, entendendo a pertença como uma condição anterior a qualquer construção.

Talvez regressar a casa não signifique voltar a um lugar de origem, mas reencontrar aquilo que, apesar de todas as transformações, continua a ligar-nos aos outros e ao mundo.

Nuno Crespo, Filipa Oliveira, João Sarmento S.j.

Curadores